Homenagem ao Dia do Funcionário Público, por um popular

10 Novembro 2009 por Gato Preto

Explicação desnecessária: bons funcionários públicos existem, e são reconhecidos pelo público (e pelo padrão do serviço público, talvez mais que o bom funcionário da iniciativa privada).

Feliz Dia do Funcionário Público. Parabéns à atendente frustada por ser feia, de baixa instrução e atendente. Parabéns ao policial corrupto, despreparado e assassino que não faz distinção entre cidadãos de bem e criminosos. Parabéns ao médico frio e incompetente. Parabéns ao fiscal que molesta vendedores ambulantes porque cidadãos pobres e de bem podem ser mal tratados. Parabéns ao agente de trânsito que assedia os donos de veículos para arrecadar multas para a prefeitura. Parabéns à professora mal amada, despreparada e frustrada por ter de ganhar a vida educando crianças e adolescentes pobres.

Feliz feriado de 28 de outubro, que é um dia normal para o restante da população. Um dia a se somar às greves freqüentes, quase sempre nos serviços que atendem aos mais pobres, de dois, três, quatro meses ociosos com direito ao salário.

Feliz Dia do Funcionário Público, do serviço público onde a má qualidade é aceitável, onde a corrupção é rotina e onde servir com competência e amor é atípico.

Walter Nunes Braz Júnior

Contra os Reis e as Religiões – Sistema Paraíso Concreto

Grupo Paraíso Concreto: http://groups.google.com/group/paraiso-concreto
http://www.grupos.com.br/group/semsenhores
semsenhores@grupos.com.br

Besteirol sustentável IV: o homem acabando com a água

5 Novembro 2009 por Gato Preto

Uma campanha educativa

Menino: – Preparar para a decolagem. Vamos viajar para o futuro. Direto para o ano 2057.

- Chegamos.

Menina: – Que estranho! Tá tudo seco! Cadê a água?

Menino: – Água? É coisa do passado. Não falei pra escovar os dentes com a torneira fechada?

(anúncio de rádio da CEMIG no final de 2008)

Comentário de Contra os Reis e as Religiões

Uma obra publicitária como essa é preocupante. Coisas assim me inspiraram a fazer a série “Besteirol sustentável”.

Uma coisa que qualquer criança aprendia na escola no meu tempo de primeiro grau era o ciclo da água. Uma criança que conheça o ciclo da água sabe que água não é consumida como o petróleo ou um minério. Algo menos óbvio, mas que qualquer engenheiro civil (como eu) ou ambiental decente sabe, é que a água do esgoto não é perdida irrecuperavelmente, havendo países que tratam a água do esgoto para o abastecimento de água. Consumo consciente da água é uma coisa, desinformação é outra.

Walter Nunes Braz Júnior

Contra os Reis e as Religiões – Sistema Paraíso Concreto

Grupo Paraíso Concreto: http://groups.google.com/group/paraiso-concreto
http://www.grupos.com.br/group/semsenhores
semsenhores@grupos.com.br

Casamento: um projeto de Deus e seus problemas

9 Outubro 2009 por Gato Preto

Um caso: casal descobre ser amante um do outro na web e se divorcia

Um casal bósnio está se divorciando, depois de descobrir que um traía o outro em chats na Internet. Detalhe: eles começaram o relacionamento virtual usando pseudônimos, e só descobriram a verdade quando combinaram um encontro real com os “novos parceiros”.

Sana Klaric, 27 anos, e seu marido Adnan, 32, usavam os nomes de “Sweetie” e “Prince of Joy” em salas de bate-papo. Conheceram-se e iniciaram uma relação, confidenciando-se mutuamente os problemas que tinham em seu casamento. Os dois, de acordo com reportagem publicada no site Metro.co.uk, estavam convencidos de terem finalmente encontrado sua alma gêmea.

Então, resolveram marcar um encontro real para se conhecerem e descobriram a verdade. Agora, o par está em processo de divórcio, e um acusa o outro de ter sido infiel.

“De repente, eu estava apaixonada, era maravilhoso, parecia que ambos estávamos amarrados no mesmo tipo de casamento infeliz”, contou Sana. “Depois, me senti tão traída”, disse.

Adnan, continua sem poder acreditar no que aconteceu. “É difícil pensar que Sweetie, que escreveu coisas tão maravilhosas para mim, é na verdade a mesma mulher com quem me casei e que, por anos, não foi capaz de me dizer uma única palavra agradável”.

Redação Terra

TERRA. Casal descobre ser amante um do outro na web e se divorcia. Terra, 19 de setembro de 2007. Disponível em http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI1920421-EI4802,00.html. Acesso em 19 de setembro de 2007.

O casamento, seus problemas e as “ameaças” a ele

Quando o cristão fala do casamento como algo de Deus, pensa e fala dele como algo primoroso em termos de relação afetivo-sexual. E dado que Deus nos ama, também o melhor para nós nessa área. Algo de uma qualidade que é de se esperar de um Criador perfeito, sábio e amoroso. Assim, o modelo de felicidade seria ser “uma só carne” com uma pessoa do sexo oposto, tendo basicamente com ela uma vida social e afetiva e apenas com ela uma vida sexual, tudo isso por toda a vida. Provemos o contrário.

Virgindade pré-nupcial. O artigo 215 do Código Penal Brasileiro original (decreto-lei 2.848, de 7 de dezembro de 1940) previa prisão de 1 a 3 anos para “conjunção carnal com mulher honesta mediante fraude”, com o dobro da pena se a “honesta” era virgem entre 14 e 18 anos. O artigo 217 previa prisão de 2 a 4 anos para sedução de mulher virgem de 14 a 18 anos. No Velho Testamento, Deus mandou que uma mulher fosse apedrejada se fosse descoberto que ela não era virgem na noite de núpcias (Dt 22. 13 – 21). Por que Deus proíbe o sexo antes do casamento se ele nos dá o desejo sexual? Ou o melhor seria estarmos casados antes da adolescência, para já termos quando ela chegasse não só a única pessoa do sexo oposto com quem faremos sexo na vida como a única pessoa do sexo oposto de quem poderemos ter alguma proximidade, entre tantas que poderiam nos interessar em sexo e relacionamento interpessoal?

As mulheres dadas em casamento. Para citar um exemplo bíblico, Merabe, filha de Saul, foi dada pelo pai como esposa a Davi por este ter matado Golias (I Sm 17. 25 e 18. 17). Vários casamentos foram arranjados pelos pais para criar ou deixar de criar vínculos com outras famílias. O argumento de que os pais, sendo mais velhos, eram algo perto da encarnação da sabedoria e sabiam o que era melhor para os filhos já é visto como tão falho como sempre foi. Tal coisificação da mulher foi a regra até não muito tempo atrás, e parecia não incomodar Deus. Por que Deus permitiu ao longo da História que milhões de pessoas tivessem seus companheiros para o resto da vida escolhidos por terceiros quando sequer eram adolescentes? Por que não deixar que essas pessoas cheguem a uma idade e uma quantidade de conhecidos apropriadas para decidirem com quem dividir sua vida, ou se permanecerão solteiras, o que sabemos que não significa necessariamente ficar sem sexo?

Fidelidade conjugal. Uma pessoa pode sentir interesse sexual por várias pessoas do sexo oposto, e todos sabemos disso. Se Deus nos deu o desejo sexual, por que Deus nos proíbe de tê-lo por outras pessoas do sexo oposto além do nosso cônjuge?

Adultério. No Velho Testamento, o adultério era punido com a morte (Dt 22. 22 – 24). O artigo 240 do Código Penal Brasileiro original previa 15 dias a 6 meses de prisão para o adultério. Por que uma poderia teria de ser presa ou morta por fazer sexo com alguém que não o seu cônjuge? Por que uma pessoa casada procuraria sexo fora do casamento? Por que uma pessoa casada procuraria sexo fora do casamento mesmo com risco de ser presa ou morta? Se alguém disser que o adultério é uma ofensa ao cônjuge traído, o que se pode dizer se esse cônjuge se sente ofendido só porque o “traidor” teve prazer sexual com outra pessoa?

Prostituição. A Bíblia condena a prostituição, embora só estabeleça pena quando a prostituta é filha do sacerdote (morte no fogo, Lv 21. 9). Certamente, porque a lei bíblica espera matar uma mulher por sexo pré ou extraconjugal antes que ela se torne prostituta. Em vários países, a prostituição é punida com morte ou prisão. Por que homens casados procurariam prostitutas? Bem, a prostituta oferece a eles o que as esposas não oferecem em qualidade ou quantidade.

Doenças sexualmente transmissíveis. A frase divulgada pelo ministério “Casados Para Sempre” que diz: “Deus inventou o sexo seguro e o chamou de casamento” é simplória. Se foi perdoável que a coletividade carola e analfabeta anterior à descoberta dos microorganismos relacionasse doenças venéreas a sexo extraconjugal ou algum outro ato que desagradasse a Deus, não é perdoável que a geração atual faça o mesmo. Doenças sexualmente transmissíveis podem ser transmitidas por outros meios, como uso de materiais perfurocortantes contaminados. Logo, pessoas que nunca fizeram sexo fora ou antes do casamento também podem contrair doenças venéreas. Afinal, isso é uma questão de medicina, não de teologia.

Pornografia. Por que o sexo e a nudez da pornografia são tão interessantes? Porque têm uma artificialidade que inclui belos modelos, cenários estimulantes e situações variadas? Também. Mas por que a pornografia também interessa a pessoas casadas? Porque mostra que existem pessoas do sexo oposto atraentes e sexo que pelo menos parece bom fora do casamento.

Manter o casamento. Casamentos longos são vistos com admiração por alguns – os mesmos que admiram a renúncia ao sexo, ao prazer e ao amor próprio. Biblicamente, um casamento só pode ser desfeito em dois casos: de adultério, pelo cônjuge traído (Mt 5. 32), ou de casamento de cristão com não-cristão, caso o não-cristão deseje (I Co 7. 15). Muitos casamentos são mantidos às custas da felicidade de um dos ou ambos os cônjuges, em vez de fazer parte da felicidade do casal. A maioria dos casamentos, especialmente após um certo tempo, se mantém pela inércia, pelos filhos, pelo medo da solidão ou pelo medo de uma vida sexual sem um parceiro exclusivo. Se Deus nos ama, ele criou o casamento para a nossa felicidade, certo?

Assim como só a aliança com o poder estatal preservou o Cristianismo, o casamento convencional só sobreviveu com a ameaça de dano, morte, prisão ou Inferno para o sexo fora dele. Casamentos felizes onde os cônjuges são grandes amigos existem. Mas os que dizem que o casamento é u’a maravilha em relacionamento afetivo, sexual e entre duas pessoas são os mesmos que dizem que o Cristianismo venceu porque bandos de moralistas a maioria provincianos e incultos tiveram o poder de Deus para lutar contra o resto do mundo, se esquecendo, ou nem sabendo, que o Cristianismo se manteve pela atrocidade, por ligações torpes com o Estado, pela manipulação de levas de supersticiosos analfabetos, pela censura e pela imposição.

Se casar, prefira o casamento aberto.

Imaculada Virgínia Pereira Souto e Walter Nunes Braz Júnior

Contra os Reis e as Religiões – Sistema Paraíso Concreto

Grupo Paraíso Concreto:

http://groups.google.com/group/paraiso-concreto

 

http://www.grupos.com.br/group/semsenhores

 

semsenhores@grupos.com.br

Ecocomunismo I – impressões, xixi no banho e viagens de avião

15 Setembro 2009 por Gato Preto

“Imprima apenas o necessário”

Casas Bahia - 30/04/09

20 árvores são derrubadas para a produção de 1 tonelada de papel.

Evite o desperdício, imprima apenas o necessário.

Seja amigo do planeta.

O futuro depende de você.

Amigos do planeta

Programa de reciclagem e conscientização

(Casas Bahia, Divinópolis, MG)

Xixi no banho

Fazendo xixi no banho, você economiza uma descarga por dia: 12 litros.

Gastando menos água, degradamos menos a natureza, preservando os recursos naturais e as nascentes dos rios.

Rios cheios e saudáveis. Cheios significam mais água para os reservatórios.

(Disponível em http://www.xixinobanho.org.br/. Acesso em 15 de setembro de 2009.)

“Aviões contribuem para o aquecimento global”

- Diminuir a bagagem ao mínimo necessário. Cada quilo nas malas provoca a emissão de um quilo de gás carbônico, em uma viagem de cerca de dez horas;

- Dar preferência a voos diretos ou com o mínimo de escalas porque o pouso e a decolagem são os processos que mais consomem combustíveis e, portanto, mais emitem gases de efeito estufa;

- Usar o banheiro só quando necessário, pois cada descarga consome um litro de combustível, liberando quase 5 quilos de poluentes na atmosfera.

(AVIÕES contribuem para o aquecimento global. Bom Dia Brasil, 21 de agosto de 2009. Disponível em http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL1275345-16020,00-AVIOES+CONTRIBUEM+PARA+O+AQUECIMENTO+GLOBAL.html. Acesso em 21 de agosto de 2009)

Compilação: Walter Nunes Braz Júnior

Grupo Paraíso Concreto:

http://groups.google.com/group/paraiso-concreto

http://www.grupos.com.br/group/semsenhores

semsenhores@grupos.com.br

Apêndice

Aviões contribuem para o aquecimento global

Medidas simples, como reduzir ida ao banheiro e carregar bagagem leve, podem ajudar na redução de gases nocivos.

Voar diminui distâncias, aproxima as pessoas, impulsiona os negócios. Mas pouco se ouve falar sobre as consequências deste tipo de transporte para o meio ambiente. Em uma viagem de ida e volta entre Rio de Janeiro e São Paulo, um avião com capacidade para 150 passageiros emite 34,5 toneladas de gás carbônico.

“Dentro do setor de transportes, a aviação é o setor que mais cresce, o que faz prever que com o passar do tempo cada vez mais a aviação será um ponto focal nessa preocupação com questão de emissão em geral”, afirma o engenheiro Roberto Schaeffer.

Nos últimos dez anos, a frota brasileira cresceu 18,5%. Segundo o consultor Allemander Pereira Filho, do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas, as companhias investiram em melhorias para reduzir a quantidade de combustível necessário nas viagens.

“A nossa frota, no Brasil em particular, é uma das mais novas do mundo. Com o menor consumo de combustível, se reduz também o custo e o preço das passagens. Por outro lado, afeta menos o meio ambiente”, diz Allemander Pereira Filho.

Segundo os especialistas, um país de dimensões continentais como o Brasil precisa de opções de transportes pouco poluentes. Alternativas como o trem-bala levam tempo e muitos investimentos. Enquanto isso, uma ideia é substituir as reuniões de negócios com a presença de profissionais de vários lugares por telefonemas ou teleconferências.

Os passageiros também podem ajudar a diminuir a poluição, evitando deslocamentos desnecessários de avião. Algumas medidas antes e durante o voo fazem diferença para a qualidade do ar.

Veja algumas medidas

- Diminuir a bagagem ao mínimo necessário. Cada quilo nas malas provoca a emissão de um quilo de gás carbônico, em uma viagem de cerca de dez horas;

- Dar preferência a voos diretos ou com o mínimo de escalas porque o pouso e a decolagem são os processos que mais consomem combustíveis e, portanto, mais emitem gases de efeito estufa;

- Usar o banheiro só quando necessário, pois cada descarga consome um litro de combustível, liberando quase 5 quilos de poluentes na atmosfera.

AVIÕES contribuem para o aquecimento global. Bom Dia Brasil, 21 de agosto de 2009. Disponível em http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL1275345-16020,00-AVIOES+CONTRIBUEM+PARA+O+AQUECIMENTO+GLOBAL.html. Acesso em 21 de agosto de 2009

Por que um ateu teria princípios morais?

5 Setembro 2009 por Gato Preto

Os bons princípios são chamados de “princípios cristãos”. Mas atribuir esses princípios ao Cristianismo é tão improcedente quanto chamá-los de “princípios nazistas” ou “princípios babilônicos”.

Nós não aprendemos princípios morais com as religiões. Um simples “não matarás” em uma Bíblia com várias indicações de pena de morte (por exemplo, Nm 15. 32 – 36) significa que esse livro nos ensinou o respeito à vida? Teremos aprendido a reprovar a intolerância com a Igreja que queimava hereges, bruxas e livros e com a Bíblia que condenava as feiticeiras à morte (Êx 22. 18)? É certo que a Bíblia tem alguns bons preceitos, como procurar a paz (Rm 12. 18), mas o mesmo livro manda mandar a pessoa mais querida à morte se ela nos convidar a adorar outro deus (Dt 13. 6 – 11).

No máximo, podemos não concordar com os religiosos sobre alguns princípios. O que há de tão grave em fazer sexo fora do casamento a ponto de isso ser digno do Inferno? Por que amar do fundo do coração alguém que não merece e não se preocupa em merecer isso? Por que alguém é pior em caráter só porque não se casou virgem, não perdoa quando tem o direito de se sentir ofendido ou simplesmente não acredita em Deus?

Professar o ateísmo e ter um vazio de referências morais é não entender o que é o ateísmo: não é algo como um Cristianismo sem Deus. A fé na inexistência de deuses tem conseqüências na vida prática. Entre elas, que genocídios e preconceitos que poderiam ser justificados pelos desígnios de algum deus ou pelos decretos de algum representante deste perdem qualquer base ou significado. E também que nada nos dá superioridade para negar a outros os direitos que acreditamos que temos.

Walter Nunes Braz Júnior

Contra os Reis e as Religiões – Sistema Paraíso Concreto

Grupo Paraíso Concreto:

http://groups.google.com/group/paraiso-concreto

http://www.grupos.com.br/group/semsenhores

semsenhores@grupos.com.br

Teologia da Evolução I

10 Agosto 2009 por Gato Preto

O princípio, ou Gênesis 1 esculhambado

Quinze a vinte bilhões de anos atrás, o universo surgiu como uma erupção cataclísmina de calor, de partículas subatômicas ricas de energia. Em segundos, os elementos mais simples (hidrogênio e hélio) foram formados. À medida que o universo se expandia e esfriava, a matéria se condensava sob a influência da gravidade para formar estrelas. Algumas estrelas se tornaram enormes e depois explodiam como supernovas, liberando a energia necessária para fundir núcleos atômicos mais simples em elementos mais complexos. Dessa maneira foram produzidos, ao longo de bilhões de anos, a própria Terra e os elementos químicos da Terra de hoje. Cerca de quatro bilhões de anos atrás surgiu a vida – microorganismos simples com a capacidade de extrair energia de compostos orgânicos ou da luz solar, que eles usavam para sintetizar um vasto conjunto de biomoléculas mais complexas a partir de elementos mais simples e compostos da superfície da Terra.

(NELSON, David L. e COX, Michael M. Lehninger princípios de bioquímica, 4 ed. Coordenação da tradução de Arnaldo Antônio Simões e Wilson Roberto Navega Lodi. São Paulo: Sarvier Editora de Livros Médicos Ltda., 2006, pág. 1. Grifo no original)

O mundo é eugênico

A enzima mutante pode ter adquirido uma especificidade levemente diferente, por exemplo, de forma que ela agora é capaz de usar algum composto que a célula era previamente incapaz de metabolizar. Caso uma população de células se encontre em um ambiente onde aquele composto fosse a única ou mais abundante fonte do alimento disponível, a célula mutante teria uma vantagem seletiva sobre as outras células não mutadas (tipo selvagem) na população. As células mutantes e sua progênie sobreviveriam e prosperariam no novo ambiente, enquanto as células do tipo selvagem ficariam desnutridas e desapareceriam. Isso é o que Darwin entendia como a “sobrevivência do mais hábil sob pressão seletiva”.

(NELSON e COX, obra citada, pág. 30)

Um pouco de fé

Mutações no DNA que passam para a descendência – ou seja, mutações que são realizadas nas células reprodutivas – podem ser perigosas ou mesmo letais para o organismo; elas podem, por exemplo, levar à síntese de uma enzima defeituosa que não seja capaz de catalizar uma reação metabólica essencial. Ocasionalmente, entretanto, uma mutação equipa melhor um organismo ou célula para sobreviver no seu ambiente

(NELSON e COX, obra citada, pág. 30)

A teoria do caos

Com paixão, cultura e talento incomum para contar histórias, o evolucionista [Stephen Jay Gould] defende a idéia de que características vegetais e animais, incluída aí a cultura humana, não aparecem com um propósito. Surgem por acaso e acabam sendo aproveitadas.

O CARÁTER aleatório da evolução. Superinteressante, nº 139, abril de 1999. Disponível em http://super.abril.com.br/superarquivo/1999/conteudo_83026.shtml. Acesso em 23 de janeiro de 2009.

Machismo

Segundo Barash [David Barash, professor de psicologia na Universidade de Seattle] e Lipton [Judith Eve Lipton, psiquiatra], o fato de não ocorrer monogamia na natureza (e de os machos serem tão volúveis e vorazes em seus apetites sexuais) pode ser explicado por uma contabilidade evolutiva. Esperma é barato, óvulos são caros. Melhor dizendo: um macho normal de qualquer espécie produz milhares de espermatozóides todos os dias e está sempre à disposição para novos intercursos sexuais, ao passo que as fêmeas ovulam bem menos e – em caso de fecundação – têm que arcar com um grande número de responsabilidades, que os pesquisadores costumam qualificar com a expressão “investimento parental”.

O termo foi criado em 1970 por Robert L. Trivers, professor de antropologia e biologia da Universidade de Rutgers, Nova Jersey, Estados Unidos, e, desde então, faz parte do vocabulário dos pesquisadores. É uma mão na roda para elucidar algumas sinucas evolutivas ligadas ao comportamento sexual. Investimento parental explica, por exemplo, porque fêmeas da maioria das espécies são menos dadas a aventuras extraconjugais.

SARMATZ, Leandro. Monogamia – Monotonia? Superinteressante, nº 170, novembro de 2001. Disponível em http://super.abril.com.br/superarquivo/2001/conteudo_209179.shtml. Acesso em 27 de janeiro de 2009.

Não estamos nas cavernas, mas a Evolução explica tudo

“Na mulher, existe precaução para evitar que o homem se apaixone por outra e vá embora, o que, em épocas remotas, poderia causar a morte da mulher e da prole. No macho humano, essa precaução, programada geneticamente, está voltada para evitar que ele cuide do filho de outro homem, fruto de uma traição. O medo e as reações a uma infidelidade no casamento são muito fortes porque, para ambos os sexos, a traição poderia acarretar o fim genealógico de um indivíduo”, explica [o psicólogo Jorge Antônio Nogueira]

VILAS, Juliana. Rede de intrigas. Folha Universal, 17 de maio de 2009, pág. 15

E o resultado foi inequívoco: todo mundo tinha uma tendência a gostar de azul, mas as mulheres também tendiam a preferir a parte mais avermelhada do espectro de cores próximo do azul — o que quer dizer, na prática, tons de rosa e lilás.

Com isso, os pesquisadores conseguiram calibrar seus chutes de tal forma que eram capazes de identificar o sexo de uma pessoa só pela cor que ela tinha escolhido. A dupla especula que a preferência por esses tons entre mulheres pode ser o resultado da evolução da espécie humana — ao atuar como coletoras de frutos ao longo de milhões de anos, as mulheres teriam aperfeiçoado sua capacidade de detectar frutos maduros e avermelhados.

LOPES, Reinaldo José. Estudo confirma: mulheres preferem cor rosa. G1, 21 de agosto de 2007. Disponível em http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL91132-5603,00-ESTUDO+CONFIRMA+MULHERES+PREFEREM+COR+ROSA.html. Acesso em 22 de maio de 2009.

Conclusão

Por que as mudanças produzidas pela evolução demoram pelo menos milhares de anos? Será que os tempos grandes são para encobrir que a evolução não é um fato observável, para dizer o mínimo?

A datação por isótopos radioativos segue um modelo com erros primários. Um cientista, Joseph Whitney, já comentou sobre isso:

Whitney então acrescentou uma breve crítica aos pressupostos da datação radioativa. Ele comentou sobre as várias discordâncias nos resultados, o problema de separar “chumbo comum” de chumbo radiogênico, a possibilidade de que alguns supostos elementos radiogênicos poderiam ter sido acrescentados antes ou depois da deposição, a possibilidade de mudanças nas taxas de desintegração, a possibilidade de lixiviação seletiva, e os muitos conflitos com as previamente assumidas eras geológicas. Essas críticas também são ainda válidas.

(MORRIS, Henry. Radiometric Dating and the Bible: A Historical Review. Disponível em <http://www.icr.org/article/radiometric-dating-bible-historical-review/>. Acesso em 10 de agosto de 2009.)

Mas será que o importante não são os resultados de milhares de anos obtidos com uma formalidade qualquer?

Gálatas 5. 15 diz: “Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros”. A Teoria da Evolução é esse princípio ao contrário. Aliás, a Teoria da Evolução é Cristianismo ao contrário. Se o Criacionismo é um erro científico, a Evolução é outro. Se os ateus querem fazer uma contraposição ao Cristianismo ou à religião em geral, fizeram parecer que não há melhor explicação para a origem e o desenvolvimento da vida que o Criacionismo e eles fogem de reconhecer isso. Como já disse alguém, evolução é 10% má ciência e 90% má filosofia.

Walter Nunes Braz Júnior

Contra os Reis e as Religiões – Sistema Paraíso Concreto

Grupo Paraíso Concreto:

http://groups.google.com/group/paraiso-concreto

 

http://www.grupos.com.br/group/semsenhores

 

semsenhores@grupos.com.br

Veja também:

Darwin, Marx e a Sonegação do Mutualismo
  Evolução é religião, não ciência
  Evolução não é ciência nem ateísmo

E se uma irmã ou filha sua estivesse numa revista pornô?

29 Julho 2009 por Gato Preto

Nós gostamos de pornografia (a normal, esclarecemos), defendemos o sexo sem relacionamento estável (não o casual) e defendemos o casamento aberto. Sobre cada assunto já escrevemos especificamente1. Mas e se em uma revista, uma foto ou um vídeo pornográfico estivesse uma filha ou irmã nossa? Ou se descubríssemos que o trabalho dela, que ela dizia ser outro, fosse como prostituta ou stripper? Ou se ela mesma nos dissesse que faria um material pornográfico ou trabalharia com o corpo? Antes de dar a nossa resposta, vamos fazer algumas considerações para que o leitor a entenda.

Há os que gostam de “azarar” e de materiais “impróprios para menores”, mas crêem que as moças da sua família são diferentes. Isso se chama arrogância. A maioria das pessoas tem a tendência de se achar com mais direitos que o resto da humanidade. É o caso do homem “caçador”, que se acha merecedor de transar com todas as mulheres atraentes que puder encontrar, ou ver os seus corpos sempre que conseguir. Cada vez que consegue, é um troféu para ele. E esse mesmo “caçador” das filhas e irmãs alheias é “protetor” das suas. Então, quando a filha ou irmã transa com o namorado… a coisa se inverte. O caso é diferente, a moça é da família dele, é pra casar. Qualquer palavra entre ela e um homem atrai o medo de que a fêmea da casa do “caçador” seja a caça de alguém, já que, se não tomamos cuidado, projetamos nossos próprios erros em outras pessoas. O que também ajuda a explicar é que temos uma visão diferente dos nossos pais, dos nossos irmãos e dos nossos filhos, nem sempre os vemos como indivíduos com uma individualidade, como o resto da humanidade.

Há os que gostam de pornografia, mas dividem as mulheres em mulheres que têm valor e mulheres que não têm valor, valor esse ditado na contramão de sua vida sexual, e esperam que as da sua família estejam no primeiro grupo. Isso se chama machismo. E o homem machista é contraditório. Se todas as mulheres fossem liberais, eles protestariam contra a falta da moral e dos bons costumes. Se todas as mulheres fossem puritanas, e seus maridos machistas, eles dificilmente veriam ou conversariam com uma mulher que não fosse da família ou sua esposa, e a maior compensação para o marasmo da vida social e sexual que isso lhes traria seria a esposa não confirmar que o pênis pequeno, as disfunções sexuais, o corpo disforme e os modos grosseiros do marido não são o melhor que ela pode encontrar. E esse “machão” é “protetor” das suas filhas e irmãs.

E há os que ligam a relação entre homem e mulher a um relacionamento estável e não gostam de pornografia. Isso se chama puritanismo. Isso não é exatamente respeito à mulher e disciplina do desejo sexual, o que é bom e nós também temos. Isso é repressão sexual, mesmo quando não chega a neurose. Esses têm um conceito do sexo altamente negativo. Não disse o apóstolo Paulo que “bom seria que o homem não tocasse em mulher” (I Co 7. 1)? Se o sexo é admitido dentro do casamento, é porque só a pureza da instituição do casamento supera, ou chega perto de superar, a imundice da prática e do desejo sexuais. A visão do sexo como pecaminoso fora do casamento ou, conforme for, mesmo dentro dele é um instrumento para a dominação do fiel pelo sentimento de culpa ou pelo exercício da estupidez, mas esse é outro assunto.

Vamos supor que demonstrar gosto pelo sexo ou uma postura desinibida em relação ao corpo seja a maior mácula moral para uma mulher. As mulheres que figuram na pornografia são a maioria mulheres “comuns” do dia-a-dia. Veja bem: não são ninfomaníacas que se passam por mulheres “decentes”, mas mulheres como a vizinha ou a balconista. Muitas fazem esses materiais pelo dinheiro que é pago. Para citar um exemplo, Rita Cadillac fez alguns vídeos pornôs pelo dinheiro, mas parece não ter gostado muito da experiência.2

Agora, vamos responder as perguntas. E se uma filha ou irmã nossa estivesse num material pornográfico e descubríssemos ao acaso? Não deixaria de ser uma surpresa, mas nada de indignação. E se ela dissesse antes que estaria nesse material? Talvez faríamos algumas perguntas e veríamos o material depois. Em ambos os casos, poderíamos gostar ou não de acordo com o material em si. E não mostraríamos aos nossos parentes, amigos e conhecidos, pelo menos nao todos, porque nem todos teriam a mesma mentalidade que nós. E se ela fosse prostituta ou stripper e descubríssemos por acaso, ou se ela mesma nos dissesse que entraria em um desses trabalhos? Teríamos preocupação com ela estar com homens que não respeitam a mulher, que podem incluir o vizinho carola que proíbe a filha de usar batom. É isso. Ver a filha ou a irmã numa revista pornográfica ou trabalhando como prostituta para nós não é o fim do mundo. E pra você?

Imaculada Virgínia Pereira Souto e Walter Nunes Braz Júnior

Também disponível (com fotos) em http://avezdasmulheres.thumblogger.com/home/log/2009/32/e-se-uma-irm-ou-filha-sua.html

1 Sobre casamento aberto, “Você aceitaria um casamento aberto?” (http://semsenhores.wordpress.com/2007/12/16/voce-aceitaria-um-casamento-aberto/); sobre relacionamento sexo-e-amizade, “Sexo e amizade” (http://paraisoconcreto.blogspot.com/2009/05/sexo-e-amizade.html); sobre pornografia, “Mostrando a pornografia como ela (não) é” (http://oreinodedeus.wordpress.com/2009/07/15/mostrando-a-p-como-ela-nao-e/).

2 “Rita comentou sobre os filmes pornográficos que protagonizou. ‘Fiz por necessidade, precisava de dinheiro. Mas valeu para ver que aquilo não era o que queria para mim’.” (O GINGADO de uma ex-chacrete poderosa. Super Notícia, 15 de janeiro de 2009. Disponível em <http://www.otempo.com.br/supernoticia/noticias/?IdNoticia=22238>. Seção Variedades. Acesso em 22 de julho de 2009.)

Grupo Paraíso Concreto:

http://groups.google.com/group/paraiso-concreto

http://www.grupos.com.br/group/semsenhores

semsenhores@grupos.com.br

Desmistificação da universidade pública por um ex-aluno

15 Julho 2009 por Gato Preto

I – Um pouco sobre mim

Eu estudei em duas universidades públicas conceituadas, UFMG e UFV. Conheci muitos estudantes em ambas. Eu sou pardo, de família pobre e fiz o 1º grau inteiro e o 2º grau quase inteiro na escola pública.

Já decidi antes de terminar o 1º grau que queria fazer Engenharia Civil, para atuar na área de Transporte Urbano. Entrei para a universidade para me preparar para a profissão e usar meus conhecimentos e a minha criatividade para a coletividade, em especial a população carente. Foi uma satisfação para mim ser professor do Pré-Vestibular do DCE da UFV, que foi criado para ajudar estudantes carentes a entrarem na universidade. Optei pela Engenharia Civil porque acreditava que a profissão em si tinha a ver comigo. Foi em 2005 (me formei em janeiro de 2008) que descobri por acaso, em uma aula, qual era o salário mínimo de um engenheiro civil.

Eu sempre fui um estudante honesto. Nunca colei; sempre fiz meus próprios trabalhos; sempre abominei a “esperteza” de tentar tirar notas altas nas provas estudando meia dúzia de questões ou páginas na antevéspera; sempre achei um absurdo que os próprios professores ajudassem os alunos a tapeá-los dizendo qual a meia dúzia de questões que daria na prova; eu preferi sempre ser reprovado em uma disciplina a ser aprovado sem saber o suficiente.

Eu só disse isso para mostrar que tipo de pessoa eu sou para os que não me conhecem.

II – Desmistificação da universidade pública

A universidade pública não é um ambiente politizado. Debates políticos e sociais até existem, mas muito menos difundidos que deveriam. O movimento estudantil ainda existe, mas já foi melhor. O estudante mediano mal lê o material das matérias que cursa, uma minoria lê razoavelmente sobre assuntos do curso e poucos têm o hábito da leitura, sobre a área que cursa e outros assuntos. É mais comum os universitários falarem sobre concursos públicos, festas, professores ou quanto podem ganhar depois que formarem.

Os estudantes da universidade pública nem sempre se destacam pela inteligência. Isso vale mesmo para os que têm as melhores notas. Alguns se acostumaram a comprar e copiar trabalhos e decorar questões que vão cair na prova de um ou dois dias depois, levaram esse estilo de estudar para a universidade e se deram bem na maioria das vezes.

Se os estudantes da universidade pública nem sempre sabem a matéria quando têm ótimas notas, também nem sempre merecem ser reprovados quando o são. Existem perseguições pessoais por questões pessoais, por ideologia política, por cor ou por religião (ou falta dela). Um bom estudante ainda pode ser prejudicado por uma prova mal formulada ou mal corrigida. Por exemplo, nas provas de uma disciplina que fiz (três vezes, aliás) uma questão errada anulava uma certa.

Os estudantes da universidade pública nem sempre são notáveis pela maturidade. No alojamento em que eu morava na UFV, sempre que faltava energia elétrica à noite haviam moradores atirando sacolas de água em quem entrasse e uns nos outros. Isso para citar um caso. Podemos destacar também os trotes e a “esperteza” de conseguir um diploma de 3º grau estudando o mínimo.

Os estudantes pobres da universidade pública nem sempre têm preocupação social. Eu já ouvi um membro do DCE (cabeludo, diga-se de passagem) dizer que entrou na universidade para ganhar dinheiro. Ele era coordenador do Pré-Vestibular do DCE, eu era professor e ele me disse isso justamente quando eu falava sobre o retorno político-social que os estudantes do Pré-Vestibular dariam. E pouco mudará que afrodescendentes e estudantes da escola pública tenham suas cotas na universidade. Isso será apenas mudar a cor dos mesmos condomínios de luxo (entendeu a piada?).

A universidade pública e a maioria de seus estudantes se gloriam por teses e artigos técnicos que foram publicados mas ninguém vai ler.

A pesquisa da universidade pública se volta a maior parte para a iniciativa privada ou o próprio ambiente acadêmico.

Ah, e a universidade pública não é um “antro de luxúria”. Existem as marias-gasolina e as mocinhas que transam com os professores, mas são minoria. Há vários grupos cristãos na universidade, e mesmo fora deles há muita gente que leva a religião a sério. A UFV, por exemplo, tem uma capela dentro do campus. A universidade também tem os seus “causos” sexuais, mas estão longe de ser rotina. Um grupo de colegas se encontrar pra estudar e acabar numa orgia é tão provável quanto um homem transar com uma ninfomaníaca peituda que encontrou na fila do caixa do supermercado.

III – Hipocrisia da universidade pública

Você pode achar que pode fazer a graduação inteira copiando trabalhos e listas de outros períodos e decorando modelos de exercícios para provas e depois vai conseguir um cargo público e só Deus ou a aposentadoria vai tirá-lo de lá; mas se suas notas são baixas, você não tem seriedade.

Você pode ter notas altas copiando trabalhos de outros períodos e usando expedientes excusos; mas se suas notas são baixas, qualquer pessoa que mal conversa com você “sabe” que você não estuda o suficiente.

Você pode ter dúvidas durante a aula e esperar que um colega com a mesma dúvida faça a pergunta ao professor, e deste modo passar como um aluno brilhante; mas se suas notas são baixas, você não está se empenhando em aprender.

Você pode esquecer tudo que viu durante um período letivo depois de ter sido aprovado nas disciplinas; mas se suas notas são baixas, haverá quem pergunte o que você está fazendo na universidade.

Você pode estar quase se formando e se preocupando em como ganhar ou deixar de perder pontos em cada disciplina, tal como um ginasial; mas se suas notas são baixas, você não está levando o curso a sério.

Você pode ter tempo e assunto para mexericos e conversas pobres; mas se vai a debates do movimento estudantil, não tem o que fazer.

Você pode ser mesquinho e aético e ainda ser respeitado; mas se você se engaja em alguma coisa dentro ou fora da universidade, ou simplesmente costuma falar de coisas relevantes, você é de sonhador pra baixo.

Você pode trocar banalidades e mensagens de mau gosto pelo correio eletrônico; mas se você fala de questões relevantes, dentro ou fora da universidade, deveria estar estudando.

Você pode, após se formar, se juntar àqueles acadêmicos que produzem trabalhos de pouca relevância, centrados nos próprios status, desligados da parte mais pobre da população e lacaios da pior parte da sociedade; mas se suas notas são baixas, você está ocupando a vaga de alguém melhor.

Você pode entrar ou fazer um curso pensando em quanto vai ganhar, sem dar a mínima para problemas de dentro ou fora da universidade; mas se suas notas são baixas ou se você se engaja em alguma coisa, não está se preocupando em quanto a sociedade está investindo em você.

Quando algo deve ser denunciado, dificilmente os que têm “moral” para se fazerem ouvir têm a honestidade, a coragem ou o interesse de denunciar. Ouvindo o que os incomodam, fazem uso da represália e do ataque pessoal. Os que não têm “moral” são os que têm conhecimento de causa, e entre eles estão a maioria dos que falam. Mas quanto a isso cabe outra discussão.

Walter Nunes Braz Júnior

Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Viçosa e ex-graduando de Engenharia Civil da UFMG

Divinópolis, 15 de julho de 2009

A parte III foi escrita em 07 de dezembro de 2007 com o título “Hipocrisia da universidade pública”

Quem dá importância à educação?

23 Junho 2009 por Gato Preto

Se conversarmos com pais pobres e surgir o assunto, veremos que eles querem que os filhos pelo menos concluam o 2º grau. Será isso um despertamento para a importância da educação e do conhecimento? De forma alguma.

No “Domingão do Faustão”, na década de 90, as “Olimpíadas do Faustão” tinham uma prova chamada “Mortemática”. O participante, em um carrinho sobre trilhos, passava por oito placas, alternadamente um dígito e um sinal de operação, e um sinal de igual na última placa. Acertando o resultado, fazendo os cálculos na ordem em que apareciam, ganhava a prova. Na mesma época, o programa também tinha o quadro “TV Absurdo”, em que pessoas eram abordadas nas ruas para responder perguntas absurdas, como a opinião sobre a entrada de Machado de Assis (1839 – 1908) na disputa pela presidência da república. O “Caldeirão do Huck” teve em 2007 e 2008 e tem este ano a prova “Soletrando”, em que estudantes de escolas de todos os estados do Brasil deviam soletrar as palavras dadas corretamente, sendo eliminados à medida em que erram.

Quem se preocupa com quantos estudantes saem do primário errando contas com três operações fundamentais e quatro números de um dígito, como a maioria dos participantes da “Mortemática”? Quem se preocupa com a ignorância do cidadão médio em conhecimentos gerais, como era mostrada no “TV Absurdo”? Quem se preocupa com quantos estudantes terminam o 1º grau errando a soletração de uma palavra de uso corriqueiro, o que não era o caso dos participantes do “Soletrando” mas é o de muitos estudantes?

Quem freqüenta as bibliotecas públicas além de estudantes fazendo trabalhos escolares?

Conta Cláudio de Moura Castro que em 2000 os estudantes brasileiros que participaram do Pisa, um teste internacional que mede a capacidade de leitura e o aprendizado de matemática e ciências, ficaram em último lugar. O Brasil passou vergonha não só perante o Primeiro Mundo como perante a América Latina. Como diz o autor, a imprensa não fez barulho e a esquerda e a direita ficaram mudas. E pesquisas com pais feitas na época ainda mostravam que eles estavam satisfeitos com a educação oferecida aos filhos.1

O REUNI dá para as universidades públicas a meta de “elevação gradual da taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais para noventa por cento”2. Isso significa que acontecerá à universidade pública a decadência que aconteceu com a escola pública. Mas os deslumbrados com os programas do governo que facilitam a obtenção de um diploma de 3º grau não atentam para isso.

O analfabeto funcional é aquele que, embora saiba ler, não consegue interpretar adequadamente o que lê. Calcula-se que, no Brasil, os analfabetos funcionais somem 70% da população economicamente ativa3. Mas onde está o escândalo diante deste dado?

Poucos pais se preocupam se os filhos aprendem o que deveriam na escola mais do que conseguem notas para “passar de ano”. Também não se preocupam, ou nem sabem, se o professor que deu notas baixas à turma que não aprendeu o que devia tem um abaixo-assinado para tirá-lo da escola.

Já podemos ouvir absurdos gritantes, como que a água do planeta está acabando, o que qualquer estudante que sabe o ciclo da água sabe que não faz sentido; ou que a nossa votação eletrônica é impossível de ser fraudada, o que qualquer eleitor com noções de programação sabe que não é verdade4.

Se procurarmos saber com o pai pobre supracitado (talvez ele mesmo nos diga espontaneamente) por que ele quer que o filho estude, ele dirá algo como “sem estudo a gente não consegue nada”. É isto! O interesse do brasileiro pela educação é simplesmente pelo que um diploma de 1º, 2º ou 3º grau pode proporcionar no mercado de trabalho.

Fosse o nosso país ainda essencialmente agrário, o mesmo pai que quer o filho “doutor” o tiraria da escola no fim do 1º grau se o filho tivesse sorte. O brasileiro que não lê jornais ou revistas e nunca leu um livro não-didático todo não descobriu na educação um instrumento para o conhecimento nem no conhecimento e na consciência crítica um meio de assumir o controle da sua vida. Ele ainda não se incomoda como deveria de ser um telespectador manipulável ou um eleitor despolitizado. Apenas descobriu que uma instituição de ensino privada de qualidade duvidosa ou uma pública decadente pode, supostamente, ajudá-lo a conseguir um trabalho melhor remunerado para si mesmo ou para um filho seu.

Walter Nunes Braz Júnior

Contra os Reis e as Religiões – Sistema Paraíso Concreto

1 CASTRO, Cláudio de Moura. Precisamos de uma crise. Veja, nº 1953, 26 de abril de 2006. Disponível em <http://veja.abril.com.br/260406/ponto_de_vista.html>. Acesso em 30 de janeiro de 2009.

2 Decreto nº 6.096, de 24 de abril de 2007, Art. 1º, § 1º. Disponível em http://www.reuni.ufv.br/?area=decreto

3 BOTELHO, Paulo Augusto de Podestá. O analfabetismo funcional. Disponível em <http://www.guiarh.com.br/z3.htm>. Acesso em 23 de junho de 2009.

4 Veja a Página do Voto Eletrônico, de Amílcar Brunazo Filho (http://www.brunazo.eng.br/voto-e/indice.htm) ou Fraude Urnas Eletrônicas (http://www.fraudeurnaseletronicas.com.br/).

Grupo Paraíso Concreto:

http://groups.google.com/group/paraiso-concreto

 

http://www.grupos.com.br/group/semsenhores

 

semsenhores@grupos.com.br

Veja também: O Sistema na Educação – blogue A Teoria do Perdedor

O analfabetismo político no Brasil

5 Junho 2009 por Gato Preto

Já dizia Bertold Brecht, em seu poema criticou tão pesadamente aqueles que dizem ter orgulho de se alienar de conversas sobre política, que essa mesma gente é quem origina o mal social. Notamos sua razão quando olhamos para dentro do Brasil, cujo povo, em sua maioria, tem horror a falar sobre o que acontece em Brasília, exceto falar o popular “dogma” de que “político é tudo ladrão”.

Os hábitos políticos do brasileiro médio, notavelmente, restringem-se a repetir a citada “verdade” e, estritamente em épocas eleitorais, a debater quem é o pior candidato. É notável a quase generalizada aversão a se falar do que acontece em Brasília.

Não se fala nas mesas de bar e vizinhanças sobre a votação dos projetos de lei, sobre as manobras limpas ou sujas nas relações de poder, sobre as estratégias políticas, sobre como os parlamentares e chefes do Poder Executivo deveriam proceder em relação a estratégias políticas.

Queira o povo ou não, esse assunto é extremamente importante e ignorá-lo é um delito contra a integridade do país onde vivem, é rejeitar a democracia. Reiterando o que Brecht disse, é desse comportamento que vêm “a prostituta, o menor abandonado e (…) o político vigarista”. Deixar a política de lado, além de ser um não da pessoa à democracia, permite que os tais vigaristas ajam livremente sem a oposição do povo e impede que os políticos mais honrados e que mantém os laços com seus eleitores – sim, eles existem, queira você ou não – tenham em mãos uma maior variedade de estratégias de manobrar sua influência política e conseguir apoio a suas leis.

Por mais que a política no Brasil venha decepcionando, mais válido do que desistir de falar dela é discutir como substituir a corja que domina as casas legislativas dos municípios, dos estados e do País. É um engodo a frase popular que diz que “política não se discute”. Discute-se sim, desde que a simpatia manifestada pela pessoa a determinada corrente política exista mais por racionalidade e menos por sentimentos de fé de que tal corrente irá “revolucionar”.

Discutir a postura de determinado homem / mulher público(a) e estratégias políticas que ele(a) pode adotar não é muito distinto de debater como determinado time de futebol deve agir. Por exemplo, palpitar como Jarbas Vasconcelos deve atuar em seu mandato de senador, desde que haja conhecimento de sua pessoa política, não é tão diferente assim de pensar em que táticas e disposições de jogadores o Sport deve utilizar mais na Taça Libertadores.

O analfabetismo político, assim como a alienação social, é extremamente nocivo ao País e compromete a sua existência como democracia. É extraordinariamente necessário educar a população para pensar em como se pode mudar a política, estendendo a atenção aos homens / mulheres públicos(as) para muito além da época eleitoral, e não em se afastar dela.

ROBSON FERNANDO. O analfabetismo político no Brasil. Jornal Agora, Divinópolis, 17 de maio de 2009, pág. 2-A.