A aprovação automática na escola pública: professor dá nota baixa à turma e tem de pedir dispensa

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Eu era professor de Física na escola estadual São Tomaz de Aquino, em Divinópolis, Minas Gerais. Tinha duas turmas de 1º ano Científico, uma turma do turno da manhã e outra do turno da tarde. Pela greve dos professores começada em abril, o turno da tarde ficou parado. Na turma da manhã, aconteceu o que vou relatar.

O desrespeito aos professores e à escola pelo corpo discente é impressionante. Os alunos perguntam mais sobre as notas e a distribuição de pontos que sobre a matéria e sempre demonstram que pensam que é obrigação da escola aprová-los incondicionalmente, além de conversarem e ouvir música em sala. Em alguns dias, tive de chamar a diretoria duas vezes na mesma aula por problemas de indisciplina. Não poucos alunos são do tipo que acha que personalidade é demonstrar que não respeita nada nem ninguém.

Comecei a distribuição de pontos do bimestre com um simples trabalho de Matemática de 5ª a 8ª série, dado em sala. Por quê? Eu precisava ver como a turma estava em termos de conhecimentos das séries anteriores e de raciocínio, além de que queria chamar a atenção de quem não estivesse bem para começar a se recuperar. Foi terrível: os alunos acertaram apenas a primeira das seis questões, conseguindo (quem fez) 0,5 ponto em 3. Uma aluna já havia me dito sem vergonha que ela e seus colegas se esquecem logo do que vêem em sala, e lhe respondi que tratasse de se recordar porque não é assim que a escola funciona. Depois, dei um outro trabalho (também em sala). Apenas um aluno fez as três questões e tirou os 2 pontos do trabalho. Os outros fizeram apenas a questão mais fácil, que era passar um número para a notação científica, e ficaram com um terço do total, 0,7 ponto. Apliquei uma prova. Seis questões de múltipla escolha, das quais quem quisesse podia responder apenas quatro. Foi outro desastre. Dos 31 alunos que fizeram a prova, os 6 que não tiraram zero acertaram apenas a primeira questão, conceitual. Por fim, veio o simulado, com 10 questões. O resultado também foi ruim. Veja em anexo as provas e os trabalhos que apliquei à turma. Veja no Trabalho 1 conteúdos como Potências e Cálculo Algébrico que foram cobrados e em que eles se saíram tão mal. Essa turma queria ser aprovada no 1º ano do Científico depois de tal desempenho.

Depois das merecidas péssimas notas, a situação se virou contra a melhor parte desta história, que era eu. Os alunos relapsos desapareceram para surgir um suposto professor incompetente e sem didática. Desaparece a turma que faz a sala parecer um barzinho, surge o professor que não explica a matéria. Reclamaram à direção com um abaixo-assinado pela minha saída. Cabe destacar que na aula da semana seguinte um dos abaixo-assinados estava conversando em sala, tentou me soprar pó de giz e ficou suspenso até voltar à sala da direção dois dias depois acompanhado da mãe.

Bem, se em vez de dar dois trabalhos em sala valendo 3 e 2 pontos, eu tivesse dado a estes alunos um trabalho extraclasse de 10 ou 15 pontos para eles passarem a terceiros que sabem a matéria e se passarem por conhecedores, isso tudo não teria acontecido. Mas quem disse que ser homem é fácil?

Pior que a postura do alunado foram as posturas dos pais, da direção e da 12ª Superintendência Regional de Ensino. Alguns pais preferiram ir à Superintendência reclamar de mim a procurar a mim ou cobrar desempenho dos filhos. A direção da escola nunca esteve contra mim, mas ficou muito preocupada com eu ter dado Trigonometria em minhas aulas e cobrado conhecimentos de Matemática, além de ter “vindo em cima” de mim porque minhas duas colegas não conseguiram terminar Cinemática em três meses e eu sim. A Superintendência, quando procurada por pais de adolescentes indisciplinados, imaturos e de mau desempenho diante de uma avaliação de conhecimentos séria, teve a postura vergonhosa de não só não ignorá-los como mandar uma inspetora para a escola à minha procura. Também uma das minhas colegas anulou a prova do simulado porque sua turma foi tão mal quanto a minha. Achei melhor pedir dispensa, porque a Secretaria de Educação poderia fazer qualquer coisa, menos algo decente.

As direções das escolas costumam ser contraditórias. Falam que a vida ensina, mas os alunos chegam aos 17 anos mal formados com a experiência de afastar qualquer professor que não os encheu de pontos, e tentarão fazer o mesmo na universidade com provável sucesso. Mas tal contradição entre palavra e ação é bem explicável: cada parte envolvida precisa “mostrar serviço” para os níveis superiores, onde se pratica a hipocrisia e a fabricação de números para impressionar eleitores mal alfabetizados.

Gostaria que os lulo-petistas deixassem o nome do governador peessedebista Aécio Neves da Cunha fora disso. Eu também não simpatizo com o PSDB, Aécio subornou e censurou os jornais escritos e falados pensando em ser presidente da República em 2011 e para os melhor informados sempre será um neto do Tancredo que se leva muito a sério. Mas esse tipo de problemas na educação é nacional, e se nenhum professor do Pará se viu com a necessidade ou condições de agir como eu, isso não prova que o Pará da petista Ana Júlia Carepa seja melhor que a média nacional. Portanto, gostaria que os lulo-petistas não fossem hipócritas ou simplórios de dar isso como um exemplo de “jeito tucano de governar”.

E por que a comunidade não protesta por causa da escola pública que forma analfabetos funcionais no Primário? Porque acredita que ganha com as coisas como estão. Afinal, pensa o pai ou a mãe com baixa escolaridade e sem hábito de leitura, o que o meu filho precisa pra ter um bom emprego com um bom salário é um diploma, os conhecimentos escolares não servem pra nada.

Com tudo isso, não tenho do que me arrepender nem uma lição para aprender como ser mais resignado, idiota, hipócrita, servil e acomodado. O mundo não precisa de mais covardes derrotados e alienados que agradecem a Deus porque ainda têm um emprego desagradável de salário mínimo e a segurança de uma vida onde quase nada de ruim ou bom acontece.

Walter Nunes Braz Júnior

Contra os Reis e as Religiões – Sistema Paraíso Concreto

Grupo Paraíso Concreto: http://groups.google.com/group/paraiso-concreto
http://www.grupos.com.br/group/semsenhores
semsenhores@grupos.com.br

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Veja também: “Ensino reprovado”, IstoÉ de 10 de maio de 2000
“Ensino reprovado II”, IstoÉ de 01 de dezembro de 2004: “Em quatro anos, nada foi feito e alunos de escolas públicas continuam sem ler e escrever”

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Apêndices

Carta à Superintendência de Ensino

Sou professor de Física na escola estadual São Tomaz de Aquino e está sendo pedida a minha saída. Comecemos a história do começo.

A direção da escola sabe dos problemas de disciplina que enfrento com a minha turma (1º F, turno da manhã). Depois de assumir a vaga, um amigo meu também professor me contou que essa turma é uma turma de 8ª série que uma professora abandonou porque dar sua aula era impraticável.

Comecei a distribuição de pontos do bimestre com um simples trabalho de Matemática de 5ª a 8ª série, dado em sala. Foi terrível: os alunos acertaram apenas a primeira das seis questões, conseguindo (quem fez) 0,5 ponto em 3. Queira ver o trabalho, o Trabalho 1. Depois, dei o Trabalho 2 (também em sala). Apenas um aluno fez as três questões e tirou os 2 pontos do trabalho. Os outros fizeram apenas a questão mais fácil, que era passar um número para a notação científica, e ficaram com um terço do total, 0,7 ponto. Queira ver esse trabalho. Apliquei uma prova. Seis questões de múltipla escolha, das quais quem quisesse podia responder apenas quatro. Foi outro desastre. Dos 31 alunos que fizeram a prova, os 6 que não tiraram zero acertaram apenas a primeira questão, conceitual. Queira ver a prova. Por fim, veio o simulado, com 10 questões. O resultado também foi ruim. Queira ver a prova, resolvida.

Desde o começo esperava “soar o alerta” para alunos mal formados perceberem e sanarem suas carências. Para alguns deles, em que percebi mais interesse e alguma dificuldade, inclusive dei o meu telefone celular e meu fixo. Não deu certo.

Que os alunos que optaram por uma postura de imaturidade, indisciplina, despreparo, desinteresse e desrespeito pagassem pela opção que escolheram era o que eu pretendia. Mas parece que entre os alunos e os pais há quem ache que isso é um sacrilégio.

O primeiro passo foi acusar o termômetro de causar a febre: a culpa é do professor. Afirmar que o mau desempenho de uma turma é culpa do professor é pressupor que é impossível haverem 30 ou 40 alunos indisciplinados, desinteressados, imaturos ou mal formados na mesma sala. Convenhamos!

Depois do mau desempenho, vieram as acusações, mas não veio a autocrítica. Fui questionado por dar um trabalho de Matemática e dar Trigonometria sendo professor de Física, e a isso sempre respondi “tudo bem, vamos dar uma questão de Física que envolva Trigonometria ou cálculo de radicais pra eles terem o mesmo”… mau desempenho. Como quem conhece a Física sabe, uma questão de Física geralmente usa Matemática. Soube de protestos contra uma questão do simulado (a questão 9) cuja resolução era apenas a aplicação direta de uma fórmula dada no próprio enunciado da questão. Não só isso como a questão já tinha sido resolvida em sala na minha turma, no entanto apenas 9 dos 38 que fizeram a prova acertaram.

Me foi pedido que aplicasse uma recuperação paralela em minha turma. Para explicar a minha recusa, repito: veja a desgraça que aconteceu quando avaliei conhecimentos de Matemática de 5ª a 8ª série em uma turma do 1º Científico.

Quem se importa que essa turma tenha chegado ao Científico ignorando semelhança de figuras (questão 6 do Trabalho 1) ou operações com radicais (questão 2 do Trabalho 1)? Quem se importa se alguém dessa turma não viu Trigonometria na 8ª série e poderia não ver esse ano se eu não tivesse dado? Qual dos pais sabe que o filho conversa em sala como se estivesse no recreio? Tudo que importou foi o “ferro”.

(Cabe lembrar que alguns alunos como esses serão beneficiários das cotas para afrodescendentes e estudantes de escolas públicas. Sou pardo e fiz o meu 1º grau e quase todo o meu 2º na escola pública e isso não me impediu de passar em 9º lugar no vestibular de Engenharia Civil da UFMG de 1994 e 6º lugar no vestibular de Engenharia Civil da UFV de 2001, porque levei a sério meus estudos e o ambiente escolar. Também já tive 14 ou 16 anos e nem por isso me reconheço no secundarista típico de hoje. Mas é conveniente para eles serem transformados de responsáveis pelas próprias atitudes em vítimas da iniqüidade e do arianismo dos brancos ricos. Mas essa é outra discussão.)

Quem quer que tenha me jogado uma bola de papel pelas costas durante uma aula, assinou um abaixo-assinado me acusando de ser um mau professor, e provavelmente um dos pais deste estava entre os que reclamaram de mim na Superintendência de Ensino. Que a Superintendência de Ensino não ensine aos alunos que a aprovação deles é problema da escola, e não deles, e aos pais que a escola pública deve ser uma fábrica de diplomas barata (no duplo sentido).

Walter Nunes Braz Júnior – MaSP 1.239.918-4

Divinópolis, 19 de maio de 2010.

Trabalho 1, 1º bimestre

1 (F. C. Chagas – SP) – Se x = (1 / 5) × (20 / 8) e y = (-2 / 3)2, a razão entre x e y é

a) maior que 1

b) igual a 2 / 3

c) um número inteiro

d) um número negativo

e) um número entre 0 e 1 / 2

2 (F. C. Chagas – SP) – O número √2352 corresponde a

a) 4 √7

b) 4 √21

c) 28 √3

d) 28 √21

e) 56 √3

3 (Fac. Med. Jundiaí) – Se A = (62 × 95)-4, então A é igual a

a) 1 / 4

b) 3-24 × 2-6

c)

1

d)

1

e) 54-28

348 × 28

5440

4 (FUVEST) – A diferença entre o cubo da soma de dois números inteiros e a soma de seus cubos pode ser

a) 4

b) 5

c) 6

d) 7

e) 8

5 (FUVEST) – A equação

2

+

1

= -1

x2 – 1

x + 1

a) tem apenas uma raiz real

b) tem duas raízes reais cuja soma é 1

c) não tem nenhuma raiz real

d) tem três raízes reais cuja soma é -1

e) admite 4 como raiz

6 (FUVEST) -

Na figura, o triângulo ABC é retângulo em A, ADEF é um quadrado, AB = 1 e AC = 3. Quanto mede o lado do quadrado?

a) 0,70 b) 0,75 c) 0,80 d) 0,85 e) 0,90

Respostas: 1: a; 2: c; 3: c; 4: c; 5: a; 6: b

Trabalho 2, 1º bimestre

1 (Prefeitura de Divinópolis, 2009) – Escrevendo-se 0,000 007 2, em notação científica, obtém-se:

a) 7,2 × 10-6

b) 0,72 × 10-6

c) 7,2 × 10-7

d) 0,72 × 10-9

2 (Fund. Carlos Chagas – SP) – Um ponto material é lançado obliquamente com uma velocidade que vale 10 m/s, formando um ângulo de 60º com a horizontal. Após o lançamento, ele fica sujeito unicamente à ação da gravidade. Sendo cos 60º = 0,50 e sen 60º = 0,86, a velocidade do ponto material no ponto mais alto da trajetória é, e m/s:

a) zero

b) 5,0

c) 7,0

d) 8,6

e) 10

3 (F. M. Bragança – SP) – Se, em um certo planeta, uma esfera cai livremente, a partir do repouso, de uma altura de 128 m e leva 8,0 s para percorrer essa distância, quanto vale, nas circunstâncias consideradas, a aceleração da gravidade local?

a) 1,0 m/s2

b) 2,0 m/s2

c) 3,0 m/s2

d) 4,0 m/s2

e) 10 m/s2

Respostas: 1: a; 2: b; 3: d

Gabarito da prova de Física do simulado do 1º bimestre

01 – Um automóvel sai de Salvador com destino a Feira de Santana e realiza um terço do trajeto com velocidade constante de 20 m/s, e o restante do percurso com velocidade constante de 30 m/s. A velocidade média, em m/s, do automóvel nessa viagem foi de, aproximadamente:

a) 16

b) 18

c) 20

d) 26

Para esse problema, não precisamos saber qual a extensão do trajeto, que não foi dada. Chamemos essa extensão de d. A velocidade média é a distância percorrida dividida pelo tempo gasto. No movimento uniforme, o tempo é igual à distância dividida pela velocidade. Logo,

vmédia = d ÷ [(d / 3) ÷ 20 m/s + (2 d / 3) ÷ 30 m/s].

Simplificando d,

vmédia = 1 ÷ [1 ÷ (3 × 20 m/s) + 2 ÷ (3 × 30 m/s)] =>

vmédia = 1 ÷ (1 / 60 + 1 / 45) = 1 ÷ (7 / 180) =>

vmédia = 180 / 7 ≈ 26 m/s. Opção d

02 – O braço de um robô, que está em posição fixa, coloca tampas em garrafas a uma taxa de 5 tampas por segundo. As garrafas, que estão em uma esteira rolante, deslocam-se para a direita. Há uma separação de 10 cm entre os centros das garrafas.

Para que o sistema funcione corretamente:

a) a esteira deve estar uniformemente acelerada para a direita

b) a esteira deve deslocar-se a uma velocidade de 2 cm/s

c) a esteira deve estar com uma aceleração de 2 cm/s2

d) a esteira deve descrever um movimento retilíneo, com velocidade constante de 0,5 m/s

O tempo entre a colocação de duas tampas consecutivas deve ser o tempo entre a passagem de duas garrafas consecutivas. O tempo entre a colocação de duas tampas consecutivas é de 1/(5 tampas/s) = 1/5 s. Quando uma tampa é colocada em uma garrafa, a garrafa anterior percorreu 10 cm. Logo, a velocidade da esteira deve ser

v = 10 cm ÷ (1/5 s) = 50 cm/s = 0,5 m/s. Opção d

03 – No instante em que a luz verde do semáforo acende, um carro ali parado parte com aceleração constante de 2,0 m/s2. Um caminhão, que circula na mesma direção e no mesmo sentido, com velocidade constante de 10 m/s passa por ele no exato momento da partida.

Podemos, considerando os dados numéricos fornecidos, afirmar que:

a) o carro ultrapassa o caminhão a 200 m do semáforo

b) o carro não alcança o caminhão

c) os dois veículos seguem juntos

d) o carro ultrapassa o caminhão a 100 m do semáforo

O carro está em movimento retilíneo uniformemente acelerado, o caminhão está em movimento retilíneo uniforme. A equação horária do carro é s = t2, a equação horária do caminhão é s = 10 t (Lembrando: a equação do MRUA é s = s0 + v0t + (a/2)t2 e a do MRU é s = s0 + vt. Coloquemos a referência de posição no ponto de partida do carro).

Quando o carro alcançará o caminhão? Quando as posições de ambos coincidirem para o mesmo tempo:

t2 = 10 t => t = 10 (Observe que para fazermos a simplificação feita, devemos ter t ≠ 0. t = 0 é solução da equação, mas corresponde ao instante da partida, então não é o valor procurado).

Com esse valor em qualquer uma das equações, temos s = 100.

Opção d

04 – Dizer que um automóvel tem aceleração igual a 1,0 m/s2 equivale a se afirmar que:

a) a cada segundo sua velocidade aumenta de 3,6 km/h

b) a cada hora sua velocidade aumenta de 1,0 m/s

c) a cada hora sua velocidade aumenta de 60 km/h

d) a cada segundo sua velocidade diminui de 1 / 3,6 km/h

A aceleração de 1 m/s2 corresponde à variação da velocidade em 1 m/s por segundo.

(1 m/s)/s = [1 × (10-3 km) / (3600-1 h)]/s = (3,6 km/h)/s

Opção a

05 -

No gráfico, representam-se as posições ocupadas por um corpo que se desloca numa trajetória retilínea, em função do tempo.

Pode-se então, afirmar que o módulo da velocidade do corpo:

a) aumenta no intervalo de 0 s a 10 s;

b) tem o mesmo valor em todos os diferentes intervalos de tempo;

c) é constante e diferente de zero no intervalo de 10 s a 20 s;

d) é maior no intervalo de 0 s a 10 s.

Veja bem: esse é um gráfico de posição, e não de velocidade, em função do tempo. Como achamos a velocidade num gráfico s × t como esse? Para o movimento retilíneo uniforme, o gráfico é uma reta e a velocidade é a inclinação da reta (lembre-se: s = s0 + vt, sendo s0 e v constantes).

A inclinação de uma reta, dados dois pontos quaisquer (x1; y1) e (x2; y2) é a = (y2 – y1) ÷ (x2 – x1). Fazendo isso, achamos que as velocidades são:

Entre t = 0 e t = 10: 50 m ÷ 10 s = 5 m/s

Entre t = 10 e t = 20: zero (a posição não muda)

Entre t = 20 e t = 40: -50 m ÷ 20 s = -2,5 m/s

De uma forma geral, a velocidade num instante é a inclinação da reta tangente à curva no ponto correspondente àquele tempo, mas isso é dado em livros de Cálculo Diferencial e Integral ou de Física para o 3º grau. Opção d

06 – A velocidade de um móvel aumenta, de maneira uniforme, 2,4 m/s a cada 3,0 s. Em certo instante, a velocidade do móvel é de 12 m/s. A partir desse instante, nos próximos 5,0 s, a distância percorrida pelo móvel, em metros, é igual a:

a) 10

b) 30

c) 60

d) 70

A aceleração é 2,4 m/s ÷ 3,0 s = 0,8 m/s2.

Opção de solução 1

d = v0t + (a/2)t2 = 12 t + 0,4 t2 => d = 12 × 5 + 0,4 × 52 = 70 m

Opção de solução 2

v2 = v02 + 2ad. Não temos de pronto a velocidade final v:

v = v0 + at = 12 + 0,8 × 5 = 16 m/s =>

162 = 122 + 2 × 0,8 × d => 1,6 d = 112 => d = 70 m

Opção d

07 – Dois automóveis, que correm em estradas retas e paralelas, têm posições a partir de uma origem comum, dadas por:

x1 = (30t) m

x2 = (1,0 × 103 + 0,2 t2) m

Calcule os instantes t e t’ em que os dois automóveis devem estar lado a lado.

t (s)

t’ (s)

a)

100

100

b)

2,5

7,5

c)

50

100

d)

25

75

Igualamos as posições:

30t = 1000 + 0,2 t2 (bem, 1000 e 1,0 × 103 em Física não são a mesma coisa, mas como vamos passar para a Matemática podemos fazer isso) => 0,2 t2 – 30t + 1000 = 0

t = [30 ± √(302 - 4 × 0,2 × 1000)] ÷ (2 × 0,2) = (30 ± √100) ÷ 0,4

t’ = (30 + 10) ÷ 0,4 = 100, t’’ = (30 – 10) ÷ 0,4 = 50

Opção c

08 – Uma composição ferroviária de 120 m de comprimento move-se com velocidade constante de 54 km/h. O tempo que ela gasta para atravessar completamente um pontilhão de 60 m de extensão, em segundos, é:

a) 6,0

b) 8,0

c) 10

d) 12

Veja bem:

A velocidade de 54 km/h é 15 m/s (dividimos por 3,6). O tempo gasto pelo trem para atravessar o pontilhão é:

t = d ÷ v = (60 + 120) m ÷ 15 m/s = 12 s

Opção d

09 – A massa inercial mede a dificuldade em se alterar o estado de movimento de uma partícula. Analogamente, o momento de inércia de massa mede a dificuldade em se alterar o estado de rotação de um corpo rígido. No caso de uma esfera, o momento de inércia em torno de um eixo que passa pelo seu centro é dado por I = (2 / 5) MR2, em que M é a massa da esfera e R seu raio. Para uma esfera de massa M = 25,0 kg e raio R = 15,0 cm, a alternativa que melhor representa o seu momento de inércia é

a) 22,5 × 102 kg × m2

b) 2,25 kg × m2

c) 0,225 kg × m2

d) 0,22 kg × m2

Para achar o momento de inércia pedido… basta substituir os valores dados na fórmula dada.

I = (2/5) × 25,0 kg × (0,150 m)2 = 10 × 0,0225 kg × m2 =>

I = 0,225 kg × m2

Aqui cabem duas observações. A primeira é que as opções dadas dão o momento de inércia em kg × m2, logo temos de trabalhar com massa em quilogramas e comprimento em metros. A segunda é a questão dos algarismos significativos: o raio foi dado com três algarismos significativos, então o seu quadrado tem de ser dado também com três; esse valor será multiplicado por outro valor com três algarismos significativos, logo o resultado tem de ser dado com três algarismos significativos; se o resultado tivesse de ter apenas dois algarismos significativos, seria 0,23, e não 0,22.

A explicação dada no enunciado acrescenta ao conhecimento do vestibulando e adianta algo que ele verá em Física Geral quando entrar na universidade. Mas para achar o valor pedido, basta substituir os valores dados na fórmula dada. Opção c

10 – Considere as informações a seguir:

  • o número de Avogadro é 6,02 × 1023
  • a massa de um grão de soja é aproximadamente 0,2 g;
  • a massa de uma saca de soja é 60 kg;
  • o perímetro da linha do equador é aproximadamente 40.000 km
  • uma carreta de 30 m de comprimento transporta 500 sacas de soja.

Imagine que carretas carregadas com o número de Avogadro de grãos de soja fossem colocadas uma após a outra sobre a linha do equador, sem espaço entre elas. O número de voltas que essas caretas dariam em torno do equador seria aproximadamente de:

a) 3 bilhões

b) 300 milhões

c) 30 milhões

d) 3 milhões

O número n de voltas seria a extensão da fila dividida pelo perímetro do equador. A extensão da fila seria o número de carretas multiplicado pelo tamanho da carreta. O número de carretas seria o número total de sacas dividido pelo número de sacas por carreta. O número total de sacas seria a massa de grãos de soja dividida pela massa de cada saca. A massa de grãos de soja seria o número de grãos de soja multiplicado pela massa média de cada grão. Assim,

n = {[(6,02 × 1023 × 0,2 × 10-3 kg ÷ 60 kg/saca) ÷ 500 sacas/carreta] × 30 × 10-3 km/carreta} ÷ 40.000 km/volta

Poderíamos calcular o resultado de cada etapa separadamente, mas faço assim para chamar a atenção para o fato de que em cálculos assim às vezes podemos fazer simplificações. Vou colocar todos os valores na notação científica:

n = (6,02 × 1023 × 2 × 10-4 × 3 × 10-2) ÷ (6 × 101 × 5 × 102 × 4 × 104) voltas = (6,02 ÷ 20) × 1010 =>

n = 3,01 × 109 voltas. Opção a

Resultado do simulado de Física do 1º bimestre – 1º F

Prova aplicada no dia 28.04

total de alunos que na questão…

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

… marcaram A

5

9

11

13

9

6

14

14

15

4

… marcaram B

9

6

9

13

4

18

11

6

6

15

… marcaram C

9

10

11

8

19

12

7

7

9

7

… marcaram D

15

13

7

4

6

2

6

11

8

12

… acertaram

15

13

7

13

6

2

7

11

9

4

total

Fizeram a questão

38

38

38

38

38

38

38

38

38

38

38

número de acertos

0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

número de alunos

1

9

14

7

6

1

0

0

0

0

0

percentual de alunos

3%

24%

37%

18%

16%

3%

0%

0%

0%

0%

0%

Avaliação – 1º bimestre

valor: 10 pontos

Disciplina:

Física

Professor: Walter

Turma: 1º F

data: 19. 04. 10

nome:

nº:

Você pode resolver o mínimo de 4 das questões.

Q.01:

%

Q. 02:

%

Q. 03:

%

Q. 04:

%

Q. 05:

%

Q. 06:

%

Nota: _____ % × 10 ÷

___

= _____

questões

01 (UESC – BA) – Para uma partícula em movimento, o quociente entre a variação da sua velocidade e o intervalo de tempo transcorrido nessa variação define a:

a) velocidade média da partícula

b) aceleração média da partícula

c) energia cinética da partícula

d) quantidade de movimento da partícula

e) força resultante sobre a partícula

02 (UFF, 2º, 1970) – O gráfico da velocidade escalar de um corpo em função do tempo é dado pela figura.

O espaço que ele percorre nos “t” primeiros segundos é igual a 60 m. A sua aceleração, em m/s2, é:

a) 1,0

b) 1,5

c) 2,0

d) 2,5

e) 3,0

03 (CEFET – PR) – Um garoto deseja derrubar uma manga que se encontra presa na mangueira atirando uma pedra. A distância horizontal do ponto em que a pedra sai da mão do garoto até a manga é de 10 m, enquanto a vertical é 5 m. A pedra sai da mão do garoto, fazendo um ângulo de 45º com a horizontal. Qual deve ser o módulo da velocidade inicial da pedra, em m/s, para que o garoto acerte a manga?

(Considere: g = 10 m/s2; sen 45º = cos 45º = √2 / 2)

a) 5 √2

b) 10 √2

c) 15

d) 20 √2

e) 25

04 (ITA, 1961) – Um avião a jato passa sobre um observador, em voo horizontal. Quando ele está exatamente na vertical que passa pelo observador, o som parece vir de um ponto atrás do avião numa direção que forma 30º com a vertical. A velocidade do avião é:

a) a velocidade do som

b) metade da velocidade do som

c) um terço da velocidade do som

d) 0,866 vezes a velocidade do som

e) nenhuma das respostas

05 (UFMS) – Um carro passa por um radar colocado em uma estrada longa e retilínea. O computador, ligado ao radar, afere que a equação horária obedecida pelo carro é dada por x(t) = 2 + 70 t + 3 t2, em que x é medido em km e t em horas. Considerando que o carro é equipado com um limitador de velocidade, que não permite que ele ultrapasse os 100 km/h, e que, no instante t = 0 h, o carro passa exatamente em frente ao radar, é correto afirmar que:

(01) o radar está a 2 km do início da estrada (km 0)

(02) se a velocidade máxima permitida no trecho for de 60 km/h, o condutor será multado por excesso de velocidade

(04) a velocidade do carro aumenta a uma taxa de 6 km/h em cada hora

(08) após 1 h, o carro passará pela cidade mais próxima do radar, que se encontra a 73 km do mesmo

(16) após 5 h, o controlador de velocidade será acionado

Dê como resposta a soma dos números correspondentes às respostas certas. ____

06 (UFSM – RS) -

No gráfico, representam-se as posições ocupadas por um corpo que se desloca numa trajetória retilínea, em função do tempo.

Pode-se, então, afirmar que o módulo da velocidade do corpo:

a) aumenta no intervalo de 0 s a 10 s

b) diminui no intervalo de 20 s a 40 s

c) tem o mesmo valor em todos os diferentes intervalos de tempo

d) é constante e diferente de zero no intervalo de 10 s a 20 s

e) é maior no intervalo de 0 s a 10 s

Ata de Termo de Ciência

Aos sete dias do mês de maio de 2010 reuniram-se na sala da direção da EE Santo Tomaz de Aquino, a diretora Sandra Soares Ribeiro e demais professores da Física desta escola com o objetivo de esclarecer situações que estão ocorrendo com as turmas do prof. Walter Nunes Braz Júnior. Foi questionada a avaliação dos alunos do 1º ano F, turno matutino, uma vez que não houve nenhum aluno com média e a falta de didática do mesmo. Já houve várias conversas com o professor junto com a especialista e a direção, mas continua da mesma maneira, os alunos reclamando que não entendem nada que o professor explica. Foi dito também que o professor é muito inteligente e que os alunos até reconhecem isto, mas não conseguem acompanhar o raciocínio do mesmo. Os professores de Física alegaram que o professor não está seguindo o CBC, e suas provas estão muito difíceis. Com isso os alunos não conseguem atingir os objetivos desejados (domínio do conteúdo). Foi sugerido ao professor que faça uma outra prova e trabalhe com a recuperação paralela, conforme reza a proposta pedagógica, dando oportunidade de aprendizagem aos alunos. Caso o professor não mude sua maneira de trabalhar, o caso será passado para o Colegiado. Nada mais havendo a tratar, lavrou-se a presente ata que, após lida e discutida será assinada pelos presentes. Divinópolis, 07 de maio de 2010.

(ESCOLA ESTADUAL SÃO TOMAZ DE AQUINO. Ata de Termo de Ciência. Divinópolis, 07 de maio de 2010. Grifos meus)

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