Imaculada Virgínia Pereira Souto, 
Walter Nunes Braz Júnior 
Não vamos fazer uma dissertação sobre os males infligidos por brancos e homens ao redor do mundo. Já houve quem se propôs a tal trabalho, e haverão outros.
O urubu-rei é uma espécie com “forte bico que lhe proporciona ser o único urubu a conseguir a abrir as partes mais difíceis de seu alimento, como a carcaça de um animal grande, e sendo capaz de rasgar o couro de um boi ou de um cavalo; como é um urubu sociável frequenta carniça com outros urubus e assim que ele ‘abre’ uma carcaça é seguido por outras aves necrófagas, que se aproveitam da carcaça já aberta para se alimentarem, quando ele não encontra a carniça espera que outros urubus achem-na, para então ele se alimentar, essas espécies que o acompanham na alimentação ficam afastadas, devido ao seu tamanho, dando a ele o aspecto de ser o rei entre elas” (Urubu-rei, Wikipédia, http://pt.wikipedia.org/wiki/Urubu-rei). E um significado para “macaco” é “2. Aquele que imita as ações dos outros” (Dicionário Michaelis, http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=macaco).
Alguns leitores podem contestar que os vícios que apresentaremos aqui também existem entre homens, brancos, ricos e regiões desenvolvidas do país e do mundo, e estará certo. Mas os defensores das minorias dão a entender, ou dizem claramente, que o mundo só será melhor se essas minorias assumirem tiverem espaço na política e na sociedade. Ou, pelo menos, pior do que está não fica (epa!). E o nosso objetivo aqui é provar o contrário.
Afrodescendentes, muçulmanos, ciganos, mulheres, índios exigem respeito e denunciam os seus problemas, quase sempre menores do que parecem e desconsiderando problemas piores de outros grupos, porque aqui eles podem fazer isso. Em um mundo que homens brancos construíram, que eles mesmos impediram outros homens brancos de ter feito mais rápido ou ainda melhor. Aí, já começamos com uma falha moral da turma da igualdade: o oportunismo hipócrita. Depois que homens brancos não-religiosos trouxeram avanços ao mundo como um todo, outros virão como quem copia o trabalho escolar do caxias da sala. Árabes exigem liberdade religiosa no mundo dos cães infiéis, mulheres feministas pressionam políticos em países democráticos para aumentar a participação das mulheres na política à revelia do resultado da eleição e assim por diante. Porque aqui eles podem fazer isso.
(Alguém pode falar da contribuição da civilização árabe ou da meia dúzia de afrodescendentes e mulheres que merecem destaque. Falaremos deles na parte 3)
Mas o que os “excluídos” fazem em termos de ambiente humano? Os bairros de periferia são, em geral, têm não poucas pessoas ignorantes, grosseiras, preguiçosas, vigaristas, soberbas e sórdidas. Lá, as crianças soltam papagaios com cerol só para afanarem os das outras, e não pensam que um pássaro ou um motociclista pode ser ferido nesta brincadeira. O Norte-Nordeste do Brasil são locais violentos (para os que não sabem, é Maceió, e não São Paulo, a capital mais violenta do Brasil, assim como Alagoas é o estado mais violento), onde qualquer analfabeto alcóolatra pode ser “cabra macho” desde que tenha uma arma, onde algumas das próprias autoridades estão envolvidas em práticas criminosas, e mesmo com o crime organizado e cujos exemplos de sucesso citados tão eloqüentemente por alguns nativos são em geral pessoas que só saíram da obscuridade no eixo Rio – São Paulo. Sim, existe gente não só honesta como inteligente lá, mas como exceção.
A África já deixou de ser colônia, mas não está progredindo por isso e nada sugere que a situação vá melhorar, pelo menos não sem a ajuda dos odiosos brancos. O povo se entrega a genocídios em nome da estupidez das suas religiões. A crendice religiosa é ainda pior do que aqui. Quando pode, o africano vem fazer universidade no Brasil.
Quando se prega políticas de “ação afirmativa” em nome de justiça social, só há duas interpretações. A hipótese má é o entendimento do problema bem maior do que é, ou mesmo a importação de problemas que não existem aqui. O militante do movimento negro ou do movimento feminista mais exaltado não pode dar um caso sequer de uma universidade onde a administração disse “não interessa se conseguiu 95% do total de pontos, aqui negro (ou mulher) não entra”. No entanto, é o racismo ou o machismo que impede um(a) candidato(a) de fazer Ciência da Computação. Ora, nós e o leitor já ouvimos secundaristas dizendo que “Matemática é difícil demais” ou “pra fazer a prova da Federal tem que estudar muito”. A hipótese pior é que “justiça social” é o reconhecimento público de uma superioridade do grupo em questão, ou, o que não muda muito, a satisfação da arrogância e do oportunismo do beneficiado. Esta última explica um estatuto de “igualdade racial” que faz uma distinção de raça para privilegiar a raça negra; ou o acesso de um estudante medíocre a uma universidade apenas porque se declarou afrodescendente no lugar de outro com desempenho melhor; ou uma Lei Maria da Penha que na prática quase declara que em uma disputa de uma mulher contra um homem a mulher é o lado justo.
Nós já ouvimos, de mulheres negras pobres universitárias:
- A gente tem que escolher um vereador daqui, pra olhar por esta região.
- Eu estou fazendo universidade pelo dinheiro.
- A gente não pode querer mudar o mundo.
- Você tem que fazer o que o chefe manda.
Estamos destruindo o vestibular com provas ridículas e com o sistema de cotas, investindo em universidades gratuitas (ou subsidiadas), facilitando a abertura de empresas para mulheres só por serem mulheres, tudo em nome de belos ideais de justiça, só para apadrinhar macacos egoístas com dinheiro público?
São grupos desse nível que pretendem receber e que alguns querem ver receber o melhor da sociedade laica ocidental apenas por serem de classes ditas oprimidas, em nome de ideais que sempre foram alienígenas em suas sociedades de origem. Na terra dos estrangeiros ou na “Mama África”, um beijo em público pode fazer o casal ser preso, uma charge pode atrair ameaças de morte, a internet é censurada, um filme para crianças pode ser proibido só porque o herói é um porquinho atrapalhado e exigir direitos pode ser a última coisa que alguém pode fazer na vida. Mas aqui pode.
P. S.: a data de publicação desta parte 1 (16.12.11) marca os 400 dias de publicação de “Dia da consciência, negro?” (11.11.10), tempo em que o texto não teve um comentário, a não ser de elogio ou para acrescentar.
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