Flávio Garcia
Foi em outubro de 2002, em reunião da Frente Parlamentar em Defesa do Brasil, na Câmara dos Deputados, em Brasília, que ouvi, pela primeira vez, referência a essa quase inacreditável possibilidade de controle comportamental de aglomerados humanos, com base em tecnologia acionada por satélite.
O assunto, até então desconhecido por qualquer um dos presentes, foi introduzido, sem aviso preliminar, pelo general da reserva brasileira, Andrade Nery. Desnecessário dizer do estarrecimento que o tema ocasionou nos presentes, não estivéssemos, também, sob o impacto de possíveis desdobramentos da assinatura do acordo com os Estados Unidos, no sentido da utilização da Base de Lançamento de Alcântara, no Estado do Maranhão.
O conteúdo do informe do general Andrade Nery dava conta de que um oficial do exército norte-americano, ex-aluno seu em um curso de guerra na selva, encontrando-se em Belém, tempos depois, relatou-lhe resultado de missão que havia concluído na própria Base de Alcântara, de onde há pouco havia regressado. E para onde, coincidentemente, dirigia-se o próprio general.
Saudações à parte, e instado a informar o tipo de missão que havia concluído, o oficial norte-americano não fez segredo em dizer que havia realizado aferições em equipamentos e instrumentais que tinham como objeto a interferência no comportamento psico-motor de aglomerados humanos ou mesmo multidões.
Conhecedor da competência e potencialidade do interlocutor, e das seríssimas implicações que o fato relatado haveria de ter sobre a segurança e destino de pessoas, instituições, processos produtivos e mesmo de países sob a influência de tais dispositivos, o general Andrade Nery considerou como de sua obrigação, no mais amplo sentido, relatar o ocorrido à Frente Parlamentar em Defesa do Brasil, para conhecimento e providências cabíveis.
No conjunto, os diversos aspectos do relato em questão podem melhor ser visualizados a partir de consulta à matéria publicada no jornal “O Farol”, porta-voz do Movimento Nativista, formado por militares e civis brasileiros, nas edições de novembro e dezembro de 2002 (nº 96 e 97), de autoria do jornalista Rubem Azevedo Lima.
E em meio às quais constam, também, as reações dos então deputados Vivaldo Barbosa (PDT-RJ) e Waldir Pires (PT-BA) sobre a gravidade do conteúdo do relato e exigências de convocação de sessão secreta da Câmara para aprofundamento, debate das implicações expostas e providências a serem adotadas.
Transcorridos dois anos desses informes, o jornal “Folha de São Paulo”, de 18/11 em curso, publica matéria de autoria do também general reformado Carlos de Meira Mattos, versando sobre idêntico assunto, e para o qual utiliza a denominação de “arma psicoeletrônica”.
Depois de mostrar profunda preocupação com os trabalhos experimentais que vêm sendo desenvolvidos em laboratórios de países detentores de alta tecnologia com respeito a emissões de raios eletromagnéticos sobre seres humanos, transcreve o estrategista militar brasileiro o entendimento do pesquisador e cientista da Universidade Federal Fluminense professor Iberê Mariano da Silva, que sintetiza a preocupação que o assunto deve merecer. Tendo em vista que “a população de uma região atingida por essas ondas, a partir de um satélite, poderia ter o seu comportamento alterado”.
Em termos mais práticos, e por extensão dos efeitos, possibilidade de redirecionamento de idéias e valores da coletividade para fins específicos, do tipo interesses político-ideológicos, de alcance estratégico-militar e, mesmo, consumo mercadológico dirigido, dentre outras opções com finalidades monopolizantes e hegemônicas.
Mais do que evidente que tais interesses e ações devem merecer a mais séria das atenções dos serviços de inteligência de países alvos, como no caso do Brasil, no sentido do estabelecimento de referenciais imediatos para agilização de estruturas e instrumental de defesa.
A um mesmo tempo em que deve-se exigir da Organização das Nações Unidas (ONU) um conjunto de providências cabíveis, entre denúncias e protestos formais; paralisação das experiências e/ou ações em andamento; sanções de múltiplo alcance; e construção e funcionamento, no mais breve espaço de tempo, de estruturas de defesa da humanidade como um todo. Se é que as Nações Unidas dos tempos atuais ainda possuem influência e determinação para tal!
Flávio Garcia é engenheiro agrônomo atuante na área de recursos naturais e meio ambiente e assessor parlamentar na Câmara dos Deputados e Senado Federal.
GARCIA, Flávio. Controle da humanidade? Tribuna da Imprensa, 27 de novembro de 2004. Disponível em http://www.tribuna.inf.br/anteriores/2004/novembro/27/coluna.asp?coluna=opiniao. Acesso em 30 de novembro de 2004.
Nota: o endereço original não existe mais. Para citar este texto, o leitor pode fazer esta referência:
GARCIA, Flávio. Controle da humanidade? Tribuna da Imprensa, 27 de novembro de 2004. CITADO POR: CONTRA OS REIS E AS RELIGIÕES. Disponível em http://semsenhores.wordpress.com/2012/01/09/controle-da-humanidade. Acesso em (dia do acesso).
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